Sunday, October 26, 2008

Mamma Mia

É um grande filme? Não, but who cares? Não foi feito para ser um grande filme, foi feito para ser divertido, para nos fazer ter vontade de saltar para cima da cadeira e cantar. E dá mesmo vontade de cantar todas as músicas a plenos pulmões. Deviam distribuir microfones à entrada. 
Se até Stellan Sarsgard, o actor fetiche do "cortador de pulsos" Lars Von Trier, canta em Mamma Mia, porque é que nós ficaríamos calados???

É uma grande interpretação de Meryl Streep? Não, há outras muito melhores. Mas não há nada que ela não consiga fazer bem e, acima de tudo, com um gozo de fazer inveja. Mamma Mia é mais uma prova de que esta grande senhora não se leva demasiado a sério, independentemente do número de Óscares que tem em casa. E pode fazer figura de parva a cantar o Dancing Queen, cheirar linhas de coca em " Adaptation", de Spike Jonze, ter uma quinta em África ou ser uma dona de casa frustada. Tudo cabe em Meryl Streep. Os ícones deveriam ser todos assim: ser respeitada sem ter que ter cara de cú, sem ter que usar sempre o vestido mais bonito da festa. Ser respeitada por ser autêntica e por rir de si própria. Por estar sempre em constante evolução e nada ser demasiado pequeno para nos interessar. 

Vão ver, cantem muito e saiam do cinema renovados. Só um conselho: baixem o volume quando o Pierce Brosnan cantar... o senhor pode ser charmoso como Thomas Crown mas tem voz de cana rachada a atirar para o pato. 


                          

My my, at waterloo napoleon did surrender
Oh yeah, and I have met my destiny in quite a similar way
The history book on the shelf
Is always repeating itself
Waterloo - I was defeated, you won the war
Waterloo - promise to love you for ever more
Waterloo - couldn’t escape if I wanted to
Waterloo - knowing my fate is to be with you
Waterloo - finally facing my waterloo

                          

We can go dancing, we can go walking, as long as we’re together
Listen to some music, maybe just talking, get to know you better
’cos you know I’ve got
So much that I wanna do, when I dream I’m alone with you
It’s magic
You want me to leave it there, afraid of a love affair
But I think you know
That I can’t let go

If you change your mind, I’m the first in line
Honey I’m still free
Take a chance on me
If you need me, let me know, gonna be around
If you’ve got no place to go, if you’re feeling down
If you’re all alone when the pretty birds have flown
Honey I’m still free
Take a chance on me
Gonna do my very best and it ain’t no lie
If you put me to the test, if you let me try



Boa semana!


Sunday, September 28, 2008

Bolas de naftalina

Parecia saída de um guarda-fatos de Narnia, cheia de colares de pérolas, rendas pretas e casacos de peles. Aparecia sempre de surpresa, cansada e vagamente perdida no tempo, como se tivesse vindo numa perignação de doces e histórias tristes. Os doces vinham na mala preta de lantejoulas, reminiscente dos anos 20. As histórias, essas, vinham nos olhos azuis, líquidos e transparentes como água. Eram levemente cinzentos como um mar que já viu muitas tempestades.

Lembro-me de poucas coisas concretas a respeito dela mas é uma presença omnipresente nas minhas memórias de infância. Como um cheiro que nos remete para algo que vivemos, também ela era uma âncora que me ligava à pessoa que eu era. Não pela proximidade emocional mas pelo mecanismo de busca que activava no meu cérebro. 

Quando estas âncoras desaparecem será que perdemos um pouco dessa essência distante? Será que os fragmentos esfumaçados da nossa memória são suficientes para ainda lhe dar consistência?

Quando me lembro dela recupero memórias cuja existência eu desconhecia. Provavelmente estavam perdidas no mesmo guarda-fatos de onde ela saia e onde eu me escondia quando era pequena, para fugir da minha avó. Sentava-me no meio dos casacos e em cima das mantas e ali ficava, no escuro, à espera que me encontrassem.

Estas memórias deviam estar no bolso de um desses casacos. Agora que o voltei a usar, levei a mão ao bolso e encontrei-as. Como uma nota ou um bilhete antigo de cinema, já sem cor, que nos faz viajar para o passado.

Se calhar, há uma parte de nós que se torna inacessível à medida que vamos crescendo e só estas âncoras têm força suficiente para as manter à tona. Ou então, a pessoa que erámos nessa infância distante começa a assemelhar-se às imagens do Titanic no fundo do oceano: um pedaço de aço enferrujado a destilar memórias no silêncio líquido. Em toda a sua glória e beleza misteriosa, torna-se indestrutível. O preço que pagamos por esta sobrevivência teimosa é a distância. Da realidade e das âncoras que nos prendem ao solo.

Tuesday, September 16, 2008

I'm just drawn that way...






 Não fomos todos, apenas, desenhados assim?? Independentemente do que o "assim" seja...
Karma, DNA, condicionantes educacionais, chamem-lhe o que quiserem. Eu apenas fui desenhada assim...

Boa semana para todos

Friday, September 5, 2008

Tenha medo, tenha muito medo

Aproveitando o mote da 2ª edição do Motel Lx, festival de cinema de terror de Lisboa, não podia deixar de partilhar com vocês algumas regras básicas de sobrevivência. São alguns dos slogans do Motel Lx mas são também deduções que qualquer fã de filmes de terror já fez, ainda antes de sair do berço.
Acreditem que, quando estiverem num beco escuro, muitas delas serão preciosas...Seguindo a sugestão de um amigo meu, acho que deveriamos começar a distribuir panfletos com estas regras à porta das escolas primárias. A educação precoce é a melhor arma contra assassinos psicóticos.

1. Se a sua filha de 5 anos lhe falar em latim, não tente perceber, dispare. (ok, é um bocado exagerado. Neste caso, aconselho que prenda a criancinha dos infernos e passe directamente para a regra nr.3 . Pode ser igualmente eficaz e ainda damos o benefício da dúvida à míúda)

2.Desconfie de estranhos com joelhos que se dobram para trás quando andam e para os lados quando correm
(fazem-se excepções se o estranho em questão for contorcionista, aberração de circo ou se tiver seguido à risca a regra nr. 5)

3. Se o seu filho de 5 anos lhe falar com voz grossa, não tente perceber, chame um exorcista
(se não resultar e o miúdo começar a vomitar uma mistela verde, aconselho que volte à regra nr.1 . Better safe than sorry)

4. Não tome duche se estiver sozinho em casa. Lave-se por partes
(pode não ser muito higiénico mas aposto que a gaja do Psycho, dado o seu final trágico, não se teria importado em ter algum odor corporal...)

5.
Se a meio da noite ouvir barulhos estranhos na cozinha, não vá ver o que é, fuja pela janela do quarto (se viver num 7º andar, aconselhamos a que não salte. Foi esse o problema do gajo da regra nr2. Vá buscar a arma que usou para matar a criancinha dos infernos e vá direito à cozinha)

6. Se for lavar os dentes, não se olhe ao espelho. Melhor, não lave os dentes
(como para lavar os dentes não precisamos de nos olhar ao espelho, esta podem ignorar. Só não digam bloody mary 3 vezes perto do espelho e enquanto lavam os dentes)

7. Não dê boleia a homens com machados
(especialmente se tiverem um Smart. O homem e o machado não cabem lá dentro e depois é uma grande chatice se ele vos quiser matar. Não tem espaço para manobrar o machado)

8. Não compre bonecos que andem ou falem
(não interessa se se chamam Cindy ou Fluffy Bear. Vão acabar por se transformar no Chucky. São estes bonecos que dão origem às criancinhas das regras 1 e 3)

9. Não entre em cemitérios à noite e evite sotãos, caves, cabanas abandonadas e bosques
(estas explicam-se por si mesmas...quem é que quer fazer coisas destas?? Só mesmo alguém que nunca tenha visto filmes de terror)




Bom fim de semana!

Tuesday, August 19, 2008

Buffy

É pequenina e franzina mas dá enxertos de porrada como gente grande. Parece uma chefe de claque mas caça vampiros e outros demónios que aterrorizam o mundo mortal. Os seus acessórios favoritos são uma estaca bem afiada, um baton vermelho da Dior (esta última parte é liberdade criativa mas qualquer mulher de bom gosto adora Dior) e o casaco de cabedal oversize do ex-namorado. O casaco é o que resta de uma bela história de amor, uma vez que o dito cujo já foi desta para melhor há umas séries atrás. Este "enredo" é demasiado longo para contar aqui mas pode ser resumido assim: girl meets boy / girl falls in love with boy / boy is a vampire / vampire boy trys to kill girl / girl kills boy. Pelo menos, foi bonito enquanto durou...


(se querem a minha opinião, quem devia ter levado com uma estaca era o outro namorado, que aparece umas séries mais à frente neste enredo. Americano até à medula, era bocejante como ele só. Mas isso posso ser eu, que até acho piada a um homem com uma pitada - só uma pitada - de "bad boy". Antes bad que boring).


Para além disto tudo, a menina ainda canta, dança, e tem um sentido de humor retorcido.


Senhoras e senhores, Buffy Summers, a Caçadora de Vampiros. Nas horas vagas, fora de Gotham City e sem a minha máscara, não me importava de ser como ela ;)




Sing along, once more with feeling!

Sunday, August 3, 2008

Pornography

- Em que é que pensas quando estás a dançar?


- Penso em ti. Mas não devia.


- Porquê?


- Porquê o quê? Porque é que penso em ti ou porque é que não devia?


- Porque é que não devias.


- Não sei.


- Isso não é resposta.


- Eu sei que não é. Mas às vezes “não sei” é o melhor que se pode saber.


- E porque é que pensas em mim?


- Porque a tua imagem fala mais alto do que a música.


- Então quando danças, danças para mim?


- Se fosses menos presunçoso tinhas mais charme...


- Isso é um não?


- De certa forma é um "sim". Mas só porque não estás lá. Se estivesses, não o faria.


- Porquê? Achas que isto é um erro?


- “Porquê, porquê”. Já devias ter ultrapassado a idade dos “porquês”.


- Sim ou não?


- Talvez...mas mesmo que seja um erro, pode não ser necessariamente errado.


- Tu adoras contra-sensos.


- A grande beleza disto tudo é ser um contra-senso.


- Disto, nós?


- Não, a vida. Isto pode ser errado porque tu és tu e eu sou eu, mas também pode ser a coisa mais certa do mundo porque tu és tu e eu sou eu.


- Pois... podemos estar a desperdiçar o melhor de nós porque mais tarde pode revelar-se o pior em nós.


- O pior é perdermos um pedaço de nós que não pode ser reconstruído. Mas esse pedaço também nunca poderá existir se não arriscarmos estilhaçá-lo, portanto.. Lá está o contra-senso outra vez. Ou o duplo senso.


- Como dois bailarinos. Tens que acreditar que o teu parceiro não te vai deixar cair mas se acontecer, tens que voltar a confiar nele. Ou então mudar de parceiro.


- Não, isso não. Eu gosto de dançar contigo.


- Mesmo que eu te deixe cair?


- Sim. Se for esse o caso, teremos apenas que aprender outra dança.


- Então é porque não sou assim tão presunçoso.


- És. Mas eu gosto de arestas por limar.


- Pretendes limar-me?


- Não, pretendo deixar-te exactamente como és.


- Isso é estranho.


- Eu sou uma pessoa estranha.


- És. Mas eu gosto de arestas por limar.


- Pretendes limar-me?


- Não, pretendo descobrir que não és tão perfeita como pareces.


- E não sou.


- Pois, esse é o grande problema. Se não fores, tornas-te ainda mais perfeita.


- Perfeito seria irmos dançar agora.


- E se eu não souber dançar?


- Claro que sabes. Uma dança é uma conversa sem palavras. E nós já falámos muitas vezes em silêncio.