Monday, April 21, 2008

Serial instincts

Encontrei-me novamente com esta música ao vasculhar os meus ficheiros MP3 para renovar a playlist para o dia seguinte. Sim, o Ipod e os seus "primos" mais "chungas" (um dos quais é meu)são uma arma indispensável contra o dia-a-dia urbano. Ouvimos histórias enquanto outras nos passam ao lado, construímos personagens a meio caminho entre a cara do desconhecido no metro e a Beyonce que nos berra aos ouvidos (bem antes ouvi-la do que vê-la, a abanar-se tanto que parece que está a ter um ataque epilético (não tenho nada contra a Beyonce, já abanei o pézinho ao som da moça, mas o que é demais enjoa).
Não sei porquê, sempre gostei desta música dos Scissor Sisters. Talvez seja a surpreendente..."profundidade" da letra, por debaixo de uma melodia contagiante. Talvez seja a loucura subjacente a algumas estrofes...eu sempre disse que daria uma excelente serial-killer... ;)



It's not easy having yourself a good time
Greasing up those bets and betters
Watching out they don't four-letter
Fuck and kiss you both at the same time
Smells-like something I've forgotten
Curled up died and now it's rotten
I'm not a gangster tonight
Don't want to be a bad guy
I'm just a loner baby
And now you're gotten in my way

I can't decide
Whether you should live or die
Oh, you'll probably go to heaven
Please don't hang your head and cry
No wonder why
My heart feels dead inside
It's cold and hard and petrified
Lock the doors and close the blinds
We're going for a ride

It's a bitch convincing people to like you
I've got to hand it to you
You've played by all the same rules
It takes the truth to fool me
Oh I could bury you alive
But you might crawl out with a knife
And kill me when I'm sleeping

Sunday, April 20, 2008

The wild rose

They call me the wild rose

And I believe in Love

And I believe in some kind of path

That we can walk down

Duas das minhas músicas favoritas de Nick Cave, para aqueles que conseguiram bilhetes para o concerto e para os que não conseguiram... eu não consegui snif snif

Quem lá for, passe por aqui e conte tudo!

Boa semana para todos

Monday, March 31, 2008

Às vezes apetece dizer...

This ever changing world in which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die



Às vezes apetece mesmo...

Friday, March 28, 2008

Sing along


You have to understand the way I am,
Mein Herr.
A tiger is a tiger, not a lamb.
Mein Herr.
You'll never turn the vinegar to jam,
Mein Herr.

Cellophane
Mister Cellophane
Shoulda been my name
Mister Cellophane'
Cause you can look right through me
Walk right by me
And never know I'm there...

We could be heroes...Just for one day.

Bom fim de semana!

Monday, March 3, 2008

Into the Wild

“I went to the woods because I wanted to live deliberately, I wanted to live deep and suck out all the marrow of life, To put to rout all that was not life and not when I had come to die discover that I had not lived.”

Henry David Thoreau


Durante os últimos quatro meses a minha vida profissional tem sido feita de palavras. São a minha ferramenta diária, o barro que moldo para tentar obter uma estátua tosca, imperfeitamente perfeita. É sempre uma tarefa incompleta e frustrante, tanto quanto é gratificante.
As palavras têm que sair a um ritmo doido e, por vezes, de forma mecânica. É uma técnica que se adquire, como outra qualquer. Mas não sem custos. A consequência negativa deste ritmo é a ausência de palavras para usar na vida pessoal. Quando volto para casa, perdem-se pelo caminho. Ou pelo menos, perdem a sua forma de expressão. Como numa tela de cinema mudo, onde tudo mexe mas nada se diz.


Circles they grow and they swallow people whole...

Há algumas semanas atrás, cruzei-me com Into de Wild, o novo filme de Sean Penn. Nesta tela, a história de Chris McCandless é contada através de imagens de uma viagem solitária. "Diálogos" de um para um, nos quais as palavras se encontram com o silêncio e existem apenas como parte do sangue que corre nas veias. Circulam pelo corpo sem necessidade de tradução, consequências do overload de emoções que o exterior provoca. Citações de Thoreau misturam-se com as palavras de Alex Supertramp (o alter-ego de Chris) e com as letras de Eddie Vedder, construindo a paisagem interior do filme. Palavras que existem como Chris existe na estrada, sozinho.

A mind full of questions, and a teacher in my soul

Deu todas as suas poupanças e partiu, rumo ao Alasca. Queria escrever a sua própria história e assim o fez: pela estrada alarga o círculo que o sufocava, retirando, camada após camada, aquilo que é falso. Aquilo que é mecânico. Aquilo que, por força do hábito e do ritmo louco, deixamos passar como verdadeiro. Tudo aquilo que Chris sempre viu à sua volta e queria desesperadamente evitar.

All my destinations will accept the one that's me / So I can breathe...

Aos 23 anos viveu uma vida inteira e, quero acreditar, cumpriu o seu destino em 2 anos de caminho. Tocou e foi tocado por seres humanos extraordinários, marcas da sua existência no planeta. Descobriu tarde demais a importância do outro nas nossas viagens solitárias, mas como ele próprio diz “ Se eu estivesse a sorrir e a correr para os teus braços, verias o que eu vejo agora?”.

Everyone I come across, in cages they bought / They think of me and my wandering, but I'm never what they thought / I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts/ I'm alive...

Seja na vastidão do Alasca ou no espaço exíguo de uma rua, defendo os momentos de solidão em que as palavras se perdem no vazio. Aqueles que são nossos e intransmissíveis, quando o mundo à volta nos sugou a energia para explicar seja o que for. Defendo o diálogo interior sem necessidade de eco, sem querer saber o que os outros acham. A necessidade de estar apenas em silêncio sem que o silêncio tenha que ter uma razão de ser, para além de simplesmente não conseguirmos falar. O encontro com aquela última camada que somos nós, o verdadeiro eu. Mas defendo também aqueles que simplesmente estão lá, mergulhados na sua própria viagem, mas de mãos dadas connosco. Aqueles que não pedem explicações para o que não pode ser explicado. Aqueles que fazem com que os momentos sejam verdadeiros. “Happiness is only real when shared”.

Não fujam dos murros no estômago, são eles que nos acordam. Evitem todas as jaulas, alarguem todos os círculos, conheçam todas regras mas não se deixem vergar por nenhuma. Não tenham medo da ausência de palavras só porque elas não conseguem ser ouvidas pelos outros. Não é uma ausência, é apenas um silêncio. E o silêncio é um nada que é tudo. É um eco de tambor que ressoa dentro de nós.

Viajem sem mapa, quem chegar ao Alasca primeiro acende a fogueira....

Wind in my hair, I feel part of everywhere /Leave it to me as I find a way to be / Consider me a satellite, forever orbiting / I knew all the rules, but the rules did not know me / Guaranteed



Boa semana para todos!
Sempre que as palavras voltarem, estarei aqui para as partilhar...


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Tuesday, February 5, 2008

Sweeney Todd e as tartes deliciosas

Para Benjamin Barker tudo era perfeito: tinha uma mulher (Lucy) uma filha (Johana) a vida era ingénua e pura. No seu mundo, tudo era luminoso e aquecido pelo sol.
Por outro lado, o mundo do Juiz Turpin era seco e vazio. Precisava de algum calor. Para azar de Barker, Lucy pareceu-lhe a “lareira” ideal. E como roubar é mais fácil, dá menos trabalho e, no fundo, como homem da lei até já tinha alguma prática no assunto, Turpin afastou Benjamin do caminho, mandando-o prender sob uma falsa acusação. Sem saber ler nem escrever, perdeu tudo num instante de inveja, misturado com doses massivas de mau carácter. Todos eles ingredientes desconhecidos para o paladar de Benjamin e que lhe deixaram um gosto amargo na boca.
Desse fel nasceu Sweeney Todd, fruto de 15 anos de isolamento nos confins da Humanidade. Todd é o que resta do Homem, uma caixa de Pandora na qual apenas ficou um sentimento – se Benjamin era feito de mel, Sweeney é temperado com a pimenta da vingança. O seu mundo é cinzento e pálido, a única cor é o vermelho que jorra das jugulares cortadas.
Para azar de Turpin, o seu sangue tem uma tonalidade que agrada a Sweeney...é mesmo a tinta que faltava para acabar o quadro...

Numa entrevista recente de Johnny Deep, o actor que consegue fazer tudo dizia : “num mundo perfeito todas as pessoas esqueceriam e perdoariam os males que foram feitos, mas não sei se é possível uma pessoa simplesmente esquecer e perdoar um mal imenso de que foi vítima. Eu sei que nunca seria capaz. Se alguém me faz mal, a mim ou a alguém que amo, faço sempre questão de que essa pessoa saiba que, agora, é guerra. Sou um grande admirador da vingança. Sou mesmo! Pode ser uma vingança subtil. Pode ser apenas feita através da ordem natural do mundo, tipo karma.”

Li isto pouco antes de ver o filme e pensei “gosto deste gajo”. Eu sou do clube de Deep e acredito em chapadas de luva branca, mesmo quando algumas pessoas merecem um tratamento mais....”cortante”. Sweeney Todd, pelo contrário, é mais murros no estômago... e barbas muito bem feitas. Mas mesmo muito bem feitas....

Ao longo do filme, estas palavras de Deep ecoavam no meio da música e embora nunca tenham perdido o sentido ou a veracidade, ganharam outros contornos. Porque o homem que Deep desempenha no filme, é um homem cego pela vingança. O que vemos nos olhos de Deep/Sweeney é oco e vazio, uma carcaça sem alma, indiferente a tudo e a todos – ao amor de Mrs. Lovett e até aos fragmentos da vida luminosa que teve antes. Lucy e Johana são, agora, parentes pobres da vingança. As navalhas de prata são o grande amor de Sweeney Todd.

A tragédia final é inevitável, embora, secretamente e com toda a ingenuidade de Benjamin, todos nós desejássemos uma final diferente para Sweeney. Uma vida à beira mar com Mrs. Lovett, talvez. Mas no fundo, será que Sweeney desejaria um final diferente para si próprio? Não me parece que voltasse atrás, que renegasse a sua vingança. Tudo foi como tinha que ser, bom ou mau. O seu último momento é marcado por um subtil acto de aceitação, assumindo as responsabilidades de um percurso. À sua maneira negra e retorcida, é um “viveram felizes para sempre”...

O novo filme de Tim Burton é um musical mas não esperem austríacas a correr pelos montes e criancinhas adoráveis. Este é um musical diferente...A única criança da história faria os Von Trapp borrarem-se de medo. E em comparação com eles, é um velho de 80 anos.
Esperem sim, a música genial de Stephen Sondheim, o guarda-roupa maravilhoso de Colleen Atwood, muito humor negro e interpretações fabulosas.Tudo orquestrado visualmente por Burton e Dante Ferretti, o eterno “set designer” de Martin Scorcese

Para além do sempre deslumbrante Johnny Deep, Helena Bonham-Carter é deliciosamente perversa. A sua Mrs. Lovett é uma boneca de trapos que tenta cozinhar um futuro mais risonho com as sobras que lhe são dadas. Adorável e odiável ao mesmo tempo, mas profundamente humana, por baixo de toda a maquilhagem gótica.

Sweeney Todd é Tim Burton em tudo aquilo que o caracteriza. Para quem gosta, é uma refeição completa. Para quem não gosta, talvez saia do cinema com fome. Seja como for, tenham cuidado com a tartes de Mrs.Lovett...podem engasgar-se com algum osso que tenha escapado à trituradora...