Friday, August 31, 2007

I got life

"Damos festas, abandonamos as nossas famílias para vivermos sós no Canadá, batalhamos para escrever livros que não mudam o mundo apesar das nossas dádivas e dos nossos imenso esforços, das nossas absurdas esperanças. Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos : é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio Tempo. Há apenas uma consolação : uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as expectativas, abrir-se derepente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas) saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais. Só Deus sabe porque amamos tanto isso"


Michael Cunningham, "As horas"

"Na verdade nada do que é importante e acontece e me faz vivo, tem a ver com o tempo. O encontro com um ser amado,uma carícia na pele, a ajuda no momento crítico, a voz solta de uma criança, o frio gume da beleza - nada disso tem horas e minutos. Tudo se passa como se não houvesse tempo. Que importa se a beleza é minha durante um segundo ou por cem anos?

Stig Dagerman, "A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer"

" Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa




Wednesday, August 22, 2007

Scream

Nunca gostei muito do Michael Jackson (tirando clássicos como Thriller) mas esta música diz tudo...


Tired of injustice

Tired of the schemes

The lies are disgusting

So what does it mean

Kicking me down

I got to get up

You’re sellin’ out souls but

I care about mine

I’ve got to get stronger

And I won’t give up the fight

With such confusions don’t it make you wanna scream

You keep changin’ the rules

While I keep playin’ the game

I can’t take it much longer

I think I might go insane

Stop pressurin’ me

make me wanna scream

Stop

Sunday, August 19, 2007

Catwoman- Volume 3

What's puzzling you is the nature of my game...

I rode a tank

Held a general's rank

When the blitzkrieg raged

And the bodies stank





You've got enough there to finish me off?

Don't forget to be the way you are

Don't go and sell your soul for self-esteem

Don't be plasticine




Wednesday, August 15, 2007

Instante

Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio



Sophia de Mello Breyner Andresen


Para o Pinguim e para a Cris, porque as pequenas coisas são também elas fundadas no silêncio...limpas, lisas, brancas e frescas....e aparecem em instantes, pequenos momentos aos quais temos que estar atentos para que não passem por nós como a brisa, sem os sentirmos, a não ser quando já passaram e apenas ficou na pele a última aragem...seja ela quente ou fria...é importante senti-la para poder sentir a verdade do momento...verdade dura ou verdade doce, mas verdade...porque essa brisa já não volta...


Para todos aqueles que têm a capacidade de ver através das pequenas coisas, não se deixando iludir pelas maiores....


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen


Para a Anita : para mim, este poema da Sophia sempre esteve associado à integridade, a rectidão, ao defender uma série de valores que nos são tão intrínsecos, que os defendemos contra tudo e contra todos. Depois pode ser secundariamente associado a essas qualidades específicamente no amor ou na amizade. Sempre achei, desde que o li a 1ª vez, que era uma descrição perfeita de alguém que poderia amar. E quanto mais o leio, mais me convenço disso. Mas cheguei também à conclusão de que se pode adequar igualmente à amizade, porque integridade e rectidão são qualidades que valorizo em toda a gente, amigos e amantes. E nesse sentido, minha amiga, este poema é para ti, por todos os anos de amizade... :) e porque a rectidão e integridade de que ele fala, me fez lembrar aquela história do teu avô e da sua honestidade, que dizes sempre que passou para ti...portanto, aqui está :)

Bom resto de semana a todos!

Sunday, August 12, 2007

Uma análise imaginária de Diane Arbus

“ A maior parte das pessoas passa a vida a evitar o trauma. Os freaks já nascem com o seu trauma, já ultrapassaram essa fase. São aristocratas” Diane Arbus


“Fur”, o segundo filme de Steven Shainberg, assume-se como um retrato imaginário de Diane Arbus.
Muitas das críticas na altura da estreia do filme diziam que pouco se aprendia aqui sobre a vida e obra de uma das fotógrafas mais influentes da segunda metade do século XX. E sim, realmente faltam as referências temporais, a sequência de factos. Saltam-se muitas partes importantes da vida de Arbus, como as aulas que teve com Lisette Model, e que a influenciaram profundamente. Mas no que diz respeito às emoções, ao que move o trabalho, está tudo lá. Porque, pegando nas palavras de Arbus, ”Estas são personagens num conto de fadas para adultos”.


“Fur” é menos biografia e mais ilustração visual para o mundo e para o trabalho de Diane Arbus, um conto de fadas grotesco e terno. E o conjunto do trabalho de Arbus parece isso mesmo, um conto de fadas bizarro no qual se procura a verdade crua, aquela que foge por entre os dedos na vida real porque o que está à superfície é mais fácil de agarrar, tem menos contornos.
A câmara de Arbus procurou desvendar um segredo através da realidade que só uma fotografia pode dar, mostrando aquilo que nem sempre é visível a olho nu, mas que a objectiva capta. Uma realidade alternativa mas nem por isso menos verdadeira porque revela o que é profundo, o que se esconde nas margens. Porque a fotografia foca apenas o que é importante, deixando difuso o que nos distrai. No caso de Diane Arbus, foca o rosto do sujeito, freaks, aberrações, doentes de instituições mentais, num frente a frente entre retratado e fotógrafo.
Em quase todas as fotografias de Arbus, os retratados olham directamente a objectiva. Para que quem vê as fotografias também olhe directamente nos olhos dos retratados. E se reconheça. Porque um freak é alguém que não se adapta e para isso não é preciso ter o corpo coberto de pêlo como a personagem de Robert Downey Jr. Basta termo-nos sentido deslocados uma vez na vida para entender. Porque estamos todos interligados. Tal como no filme, em que o alçapão liga a casa de Diane ao sótão de Lionel, uma porta aberta entre o mundo dito normal e um outro, que não encontra definição que lhe assente. Uma porta que Diane tentou sempre abrir com o seu trabalho, porque no fundo sabia que não existe uma divisão e que na maior parte do tempo os verdadeiros freaks estão algures entre um mundo e outro, sem pertencer realmente a nenhum.

Nascida e criada numa família rica de origem judaica, em Nova Iorque, Diane teve acesso privilegiado a tudo. Mas isso não a impedia de ainda muito nova ir para o parapeito do apartamento dos pais e olhar para a cidade cá em baixo, só para perceber se alguma vez conseguiria saltar. Para perceber qual era a sua relação com o abismo.

Quando mais tarde casou com Allan Arbus e se tornou sua assistente de fotografia nas campanhas de moda e publicidade, Diane continuava a olhar para o que a rodeava como se ainda estivesse no parapeito da janela. Um ponto de vista que lhe permitia encontrar algo de estranho e grotesco naquele mundo artificialmente belo, em que tudo era encenado. Devia existir algo de mais verdadeiro e visceral. E aos poucos, começou a explorar a sua própria visão, procurando novamente o tal abismo que tornava tudo mais real, à flor da pele. Deixou as revistas de moda e procurou pelos bares da cidade, pelas ruas, vielas e parques, procurando uma junção entre normal e estranho. O tal espaço intermédio entre dois mundos. E muitas das fotografias de Arbus resultam dessa união de opostos, do elemento perturbador no normal e do quanto o normal pode ser perturbador.

Não é de espantar que o trabalho de Diane Arbus tenha atraído Steven Shainberg. O seu primeiro filme, “A Secretária”, falava também sobre dois inadaptados que encontram contexto um no outro. Aqui não existiam anãs que bebem chá com os pés, gigantes de 2 metros, gémeas siamesas ou sótãos cheios de sensações por descobrir. Mas existia um escritório, também local de descobertas e de abismos, também ele contrastando em conforto e calor com o mundo cá fora, mais asséptico e frio. E nesse espaço muito parecia estranho e bizarro, mas nunca tanto como parecia cá fora. Porque pelo menos sentia-se como verdadeiro. Nem sempre fácil ou bonito, mas honesto. Como o trabalho de Arbus.
E também existiam freaks, mas estes sem nenhuma deformidade física, apenas emocional, que é a verdadeira deformidade e nos pode afectar a todos. Tal como Lionel em “Fur”, que rapa todos os pêlos que lhe cobrem o corpo, para mostrar que por baixo de toda a deformidade continua igual a qualquer outro.
Como a colónia de nudistas que Arbus fotografou, em que famílias inteiras faziam o mesmo que outras tantas famílias faziam por todo o mundo no mesmo instante. A diferença é que estas famílias não tinham roupa. Será essa diferença assim tão grande, será que a aparência tem mais significado do que o gesto em si? Será tudo apenas uma questão de pele?
Diane Arbus usava uma câmara com écran ao nível da cintura para que pudesse interagir com os retratados de uma forma mais directa, sem a invasão de uma objectiva ao nível do olhar. Criava uma espécie de “sótão” ou “escritório” emocional onde o sujeito se sentisse confortável para enfrentar o seu próprio abismo. Observando o écran à medida que falava com eles, procurando o momento em que o sujeito se revelava, para conseguir captar um instante da sua verdadeira humanidade, só possível nesse espaço de segurança.Em 1969, Arbus começa o seu último projecto, fotografando doentes com deficiências mentais em sanatórios. Depois de concluído o projecto, em 1971, Diane Arbus suicidou-se, cortando os pulsos e tomando uma dose elevada de barbitúricos, depois de um longo período em que se encontrou em depressão. É claro que qualquer teoria sobre a sua morte será apenas mera especulação, tal como é apenas especulação e fantasia o mundo que Shainberg criou para ilustrar o trabalho de Arbus. Mas como qualquer artista, Diane tentou sempre tocar o outro, provocar emoções. E tal como o seu trabalho provoca determinadas reacções em Shainberg, eu gosto de acreditar que o confronto olhos nos olhos com aqueles doentes mentais foi demasiado para ela, o reflexo do espelho foi demasiado claro e gritante. O que no fundo, foi o objectivo da sua vida, mostrar um espelho ao mundo cujo reflexo fosse cortante, mas que nunca revelasse tudo, porque “quanto mais nos é mostrado, menos sabemos.” Porque a fotografia é um segredo sobre um segredo.” “Tell me a secret....”.



P.S. : Se não viram "Fur" quando esteve nos cinemas, deve estar quase a sair em dvd. A nível de timming e actualidade este post não tem muito de nenhum deles lol mas de alguma forma pareceu-me correcto pô-lo assim, sem aparente ligação com nada, no meio da minha trilogia Catwoman. Porque Arbus detestava "caixas" e eu também. Passou a vida a tentar quebrar barreiras e pareceu-me adequado falar sobre ela assim, só porque sim, sem qualquer razão aparente que o justificasse....because life flows like water and cannot be trapped.... Porque tal como Arbus, o meu único vício são pessoas.... and like life, people also cannot be trapped, only discoverd...


Wednesday, August 8, 2007

Catwoman - volume 2

I was stopped by a man.

He said

"I know you’re looking for something that’s hard to find and I think I have what you have in mind...

"I want some slashes to go with those long eyelashes..."

Every woman has an itch and every nice girl secretly wants to switch...

Help me find the woman behind the cat...

It’s just a thrill" I said as he relaxed on the dark, dark bed...



I've got seven lives left...


Tuesday, August 7, 2007

Catwoman - volume 1

The woman behind the cat...


there's just so much you can take before shutting down....


The cat...

the fighter...


More to come on the Catwoman Trilogy....

Monday, August 6, 2007

Bitch...you don't have a future

This is me today...



The world is a nice punching bag....


P.S. : Esta é provavelmente das melhores deixas de filmes de sempre lol "Bitch, you don't have a future". Pensem só nas inúmeras situações do quotidiano em que podemos usar a frase.E em que nos apetece usá-la :P

Saturday, August 4, 2007

Alive and Screaming - Death Proof

Esqueçam a queima de soutiens, as quotas de presença igualitária no parlamento, os Anjos de Charlie ou até mesmo a Lara Croft - girl power a sério é com o Quentin Tarantino. Só ele tem "tomates" para fazer das suas "leading ladies" feias, porcas e más, mas sempre femininas e kicking ass. E enxertos de porrada monumentais, cheios de estilo e pontuados por diálogos de ir às lágrimas de tanto rir, é coisa que não falta em Death Proof. O segundo quarteto de meninas é especialmente bom, com especial destaque para a black queen Tracie Thoms (que tem as melhores deixas do filme)e para a dupla de Uma Thurman em Kill Bill, Zoey Bell, aqui a fazer de si mesma. No meio do estrogéneo, um Kurt Russell ressuscitado dos mortos com o sentido de humor e do ridículo que só Tarantino tem - com ele os dois andam de mãos dadas.

A montagem é vertiginosa (atenção ao primeiro embate dos dois carros...) os efeitos trashy na película uma delícia, a banda sonora é das melhores de Tarantino, senão a melhor, e acima de tudo nota-se em cada frame o gozo monumental que este filme deu a quem o fez - Mr Tarantino had a lot of fun. E eu também, sentada no escuro da sala de cinema, a vibrar em sintonia com cada pontapé e com uma audiência de aficcionados do maior geek que o cinema americano já viu. Um geek nascido precisamente nas salas de cinema, foi essa a sua escola. Talvez por isso saiba tão bem fazer filmes que fazem a sala encher-se de vida. Quem não gosta de Tarantino, não é com Death Proof que vai mudar de ideias, mas para quem gosta, vai ficar a gostar ainda mais - nem Kill Bill volume 1 é tão electrizante, é apenas mais cool.É claro que há aqui muito mais para ver e analisar, muitas homenagens a filmes e estilos que Tarantino adora, tudo tem um significado, mas acima de tudo Death Proof é uma injecção de adrenalina directamente no coração. Tal como acontece a Uma Thurman em Pulp Fiction. E alguém esquece essa cena do filme...?Pois...


Bom fim de semana!

Wednesday, August 1, 2007

Searching my soul

Outro dia, no blog do Pinguim, lembrei-me de Ally Mcbeal a propósito de um dos posts. Hoje, em conversa com a Anita, Ally voltou a ser referida. Levou-me a pensar no porquê de gostar tanto da série e da personagem... o melhor exemplo de que me consegui lembrar foi de um episódio em que Larry ( o sempre fabuloso Robert Downey Jr.) se vai embora e deixa a Ally um boneco de neve feito à sua imagem e semelhança, com um bilhete a dizer "I'll be back". No episódio seguinte, quando Ally abre a porta do frigorifico , o boneco está lá - tinha esvaziado todo o conteúdo para o guardar. Alguns episódios mais à frente, é ela a advogada que defende o direito de voar de um homem - não voar em primeira classe para as Fiji, mas voar como os pássaros, com asas de papel... e acho que é por isso que gosto de Ally Mcbeal : porque se agarra aos sonhos como uma bóia de salvação, porque luta contra a ideia de que não há magia no mundo, porque pensa que pode impedir a neve de derreter e acredita que um homem possa voar como Ícaro...porque mais vale ver o sol de perto uma vez e cair na terra do que nunca o ver....


I've been down this road walkin' the line
That's painted by pride
And I have made mistakes in my life
That I just can't hide
Oh I believe I am ready for what love has to bring
Got myself together, now I'm ready to sing
I've been searchin' my soul tonight
I know there's so much more to life
Now I know I can shine a light
To find my way back home

One by one, the chains around me unwind
Every day now I feel that I can leave those years behind
Oh I've been thinking of you for a long time
There's a side of my life where I've been blind and so...

I've been searchin' my soul tonight
I know there's so much more to life
Now I know I can shine a light
Everything gonna be alright
I've been searchin' my soul tonight
Don't wanna be alone in life
Now I know I can shine a light
To find my way back home

Baby I been holding back now my whole life
I've decided to move on now
Gonna leave all my worries behind
Oh I belive I am ready for what love has to give
Got myself together now I'm ready to live
I've been searchin' my soul tonight
I know there's so much more to life
Now I know I can shine a light
Everything gonna be alright

I've been searchin' my soul tonight
Don't wanna be alone in my life
Now I know I can shine a light
To find my way back home



Agora só falta que apareça por cá uma edição decente em DVD para comprar e não uma edição em "fascículos" como a que existe... Série 1, dvd 1, Série 1, dvd 20... não há pachorra lol

Beijinhos, bom resto de semana para todos :)